quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

A luta de Teluk Meranti contra o golias de papel

Aldeia de Sumatra, na Indonésia, vive refém da exploração alheia da floresta que lhe garantea sobrevivência. E da ambição desmedida, que vai ao ponto de calar líderes com dinheiro.
Entra-se em Teluk Meranti, aldeia da ilha indonésia de Sumatra, a bordo de um pequeno barco. Ali não chegam estradas. Só dois rios. Um deles, o Kampar, dá nome à península que, há semanas, chamou a atenção do Mundo.

E chamou de tal forma que os efectivos policiais na zona multiplicaram-se e ninguém se atreve a levar ali um jornalista estrangeiro se este não se mantiver bem longe dos olhos da Polícia.
Mohamed Yusuf, o líder cultural da aldeia acabado de chegar de Jacarta para tentar obter o apoio governamental para as pretensões da população de Teluk Meranti, sorri e aponta na direcção do centro da aldeia, onde a Polícia acabou de montar um cordão de segurança, antecipando a chegada do bupati, o líder do distrito de Pelalawan. A explicação chega pela voz do tradutor: "A Polícia não pode saber que está cá um jornalista estrangeiro". O problema não vem da própria Polícia, mas sim dos seguranças da empresa Riau Andalan Pulp and Paper, que "atacam os jornalistas". É por isso, explicam, que a Polícia evita a presença de estranhos na aldeia.

De facto, não é difícil manter alguém longe dos olhares de quem está na zona central da aldeia e onde se situam os edifícios governamentais. Teluk Meranti estende-se por três quilómetros, com grande parte das casas assentes no rio que garante a maioria da subsistência. É também ali que tomam banho ou lavam os dentes, no mesmo sítio em que são descarregados os dejectos das caixas de madeira que servem de casa de banho às casas.
O desejo de afastar os estranhos chega ao ponto de a Riau Andalan Pulp and Paper (RAPP), uma subsidiária do gigante asiático APRIL, reservar e pagar a ocupação permanente e total do pequeno hotel que serve a aldeia. "Hotel" é, neste caso, uma metáfora para a casa de palafitas, sem água corrente ou casa de banho, gerida por uma família local e que acolhe os forasteiros. Mas isso era antes. Agora, a casa permanece vazia, pelo menos enquanto a RAPP continuar a pagar a conta.
Mesmo sem "hotel", acolher bem os estranhos continua a ser uma regra. Mas, ontem, aplicá-la obrigava a algumas adaptações. Na casa de um dos notáveis da aldeia juntaram-se os líderes religioso e cultural da aldeia e alguns homens mais jovens, que têm assumido um papel activo na defesa dos seus direitos. A presença de um jornalista justificava as presenças. Ausente estava o lurah Hasan - o chefe da aldeia -, agora o principal defensor da presença da RAPP, que quer arrasar com uma área de mais de 45 mil hectares de uma das mais importantes florestas do Mundo para ali plantar acácias e produzir pasta de papel.

Hajrusman, líder religioso e um dos mais velhos da aldeia, assume as explicações: "A vida da aldeia depende da floresta. É dela que obtemos comida, madeira e mel. Os habitantes vendem esses produtos e vivem disso. Se a floresta for cortada, o que poderemos conseguir dela? Nada!". Mas é da boca de Suhandi, um dos jovens, que chega a acusação mais directa: "A RAPP pagou para algumas pessoas mudarem de posição".
Aparentemente, a visita do bupati, o líder do distrito, pretendia pôr termo a essa divisão, que coloca, de um lado, a generalidade da população e, do outro, um grupo mais restrito, ligado ao líder local, que apoia as operações da subsidiária do grupo APRIL. As expectativas eram grandes, mas conviviam com alguma desconfiança sobre as reais intenções do bupati: não estaria ali por convite da RAPP?
O curioso, recorda Yusuf, é que o lurah Hasan, poucos meses antes, tinha sido um dos muitos subscritores de uma carta endereçada à APRIL contestando os planos para a plantação de acácias na Península de Kampar.
Hajrusman e Yusuf deixam a discussão para os mais novos, mas não sem antes rematarem que, apesar das dificuldades, acreditam ser possível travar as pretensões da RAPP. O "ponto de viragem" nessa luta, como lhe chama Suhandi, foi a presença da Greenpeace. "A vinda das ONG para a aldeia e, em particular, o protesto da Greenpeace, mostrou aos habitantes de Teluk Meranti a importância da sua própria aldeia e da floresta que a envolve. Até aí, ninguém sabia nada de alterações climáticas ou emissões de dióxido de carbono. Agora, todos nós, mesmo os mais velhos, sabemos o que se passa e lutamos por isso".
Se fosse preciso provar o empenho da aldeia, bastaria observar as várias camisolas vermelhas que vão passando na que é a rua central da aldeia - uma passagem semelhante a um passeio percorrido a pé ou na omnipresente motorizada, que se prolonga pelos três quilómetros de extensão de Teluk Meranti. Num dos lados, em inglês, um slogan de protecção da floresta com a assinatura da Greenpeace e, nas costas, o mesmo em língua bahasa.
A ajuda das ONG acabou por dar alento a uma luta que não deixa de ser uma espécie de confronto entre David e Golias. Nenhum dos notáveis de Teluk Meranti ignora a disparidade de forças que está em confronto. Aliás, esse é um dos motivos que afasta o recurso aos tribunais. "Não temos dinheiro suficiente nem documentação que comprove os nossos direitos sobre estas terras e que nos permita ir a tribunal", lamenta Hajrusman, o líder religioso.
Dois gigantes em luta
Dois gigantes empresariais estão no centro desta polémica. A Asia Pacific Resources International Holdings Limited (APRIL) e a sua concorrente Asia Pulp and Paper (APP ) dominam - ou tentam dominar -, directamente ou através de empresas subsidiárias, a vasta área de floresta de turfa. Têm na região duas das maiores fábricas de pasta de papel do mundo, com uma capacidade anual de produção de mais de dois milhões de toneladas.
Mas esta é a terceira vaga de uma bênção que um ditado local resume: Riau é abençoada com óleo, por cima e por baixo da terra. A exploração de petróleo começou na década de 1930 nas zonas costeiras da província. Cinquenta anos mais tarde, arrancou a exploração em larga escala de óleo de palma, conduzido a um "boom" da desflorestação que cobriu Riau com mais concessões de óleo de palma do que qualquer outra região indonésia.
A década de 1990 assiste à chegada de um novo competidor: a indústria da pasta de papel, que rapidamente atinge os níveis de desflorestação provocados pela indústria do óleo de palma. Em 2000, a substituição das florestas por plantações de duas espécies de acácias para produção de pasta papel ultrapassa os níveis provocados pelo óleo de palma.
Activistas da Greenpeace e jornalistas deportados
"Devemos ter cuidado ao acompanhar jornalistas para as florestas e para as zonas concessionadas às empresas", diz Afdhal Mahyuddin, editor do boletim da "Eyes on the Forest", uma união de organizações não-governamentais na província de Riau. Na mente de Afdhal estão recentes incidentes envolvendo activistas da Greenpeace e alguns jornalistas estrangeiros, que terminaram na deportação de 18 pessoas.
Apesar de cauteloso, Arry Bule, da Scale Up, mostra-se mais tranquilo: "O pior já passou". E é com um sorriso que lembra que, poucos dias após os incidentes de meados de Novembro com a Greenpeace, levou à Península de Kampar uma equipa do "The New York Times". "Por acaso, os jornalistas tinham saído num barco e acabou por não haver grandes problemas", diz o director-adjunto da Scale Up, mais do que habituado a trabalhar na península, uma das principais florestas pantanosas da ilha de Sumatra.
O "campo de defensores do clima", como lhe chamou a Greenpeace, acabou por ter um efeito benéfico: ajudou a chamar a atenção para a luta constante em que estão envolvidas as organizações presentes na Península de Kampar, os seus habitantes, as autoridades e as empresas decidas a explorar aquela vasta área de território virgem para plantar árvores que alimentem as suas fábricas de papel.
Durante o protesto, os cerca de 50 activistas da Greenpeace bloquearam o equipamento pesado da PT Riau Andalan Pulp and Paper (pertencente ao grupo APRIL, com sede em Singapura, e que é um dos gigantes asiáticos do sector do papel) e acabaram por ser forçados pela polícia a deixar o protesto. Pelo caminho ficaram, inclusive, alguns confrontos com o grupo mais reduzido de habitantes que apoia as operações das companhias de papel e, em particular, o plano que prevê a utilização de cerca de 45 mil hectares de floresta.
NUNO MARQUES, EM pekanbaru, sumatra

segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Petição na net defende sobrevivência dos ouriços-do-mar

por Lusa25 Novembro 2009
Rui Taxa, um deputado municipal de Caminha, anunciou hoje que vai colocar na Internet uma petição em defesa do ouriço-do-mar, uma espécie que diz estar ameaçada devido à apanha "desenfreada" permitida pela legislação em vigor.
"Em Portugal só há ouriços-do-mar na costa entre Caminha e Esposende, mas todos os anos, durante o período reprodutivo das fêmeas, que decorre entre Outubro e Abril, deverão ser apanhadas umas 19 toneladas, para aproveitar as ovas frescas, que são colocadas no mercado a preço de ouro", disse hoje, à Lusa, aquele deputado.
Segundo Rui Taxa, a escassez de caviar a nível mundial fez disparar a procura das ovas de ouriço, que têm um paladar muito semelhante e que chegam a ter um custo de 24 euros por cada 130 gramas, sendo Espanha o seu destino.
"Os preços finais para o consumidor atingem valores muito mais elevados", frisou.
Para Rui Taxa, o principal problema é que a lei não estabelece limites para a apanha, seja em termos de quantidades ou de tamanhos.
"Tudo o que vai à rede é peixe. Levam tudo e não deixam nada. E se isto continua assim, em breve deixará de haver ouriços-do-mar em Portugal", alertou.
A petição que vai ser colocada na Internet exige a proibição da apanha de ouriços-do-mar durante cinco anos, para a regeneração e estabilização da espécie, e a criação de legislação adequada, que imponha limites à apanha.
Neste momento, e segundo Rui Taxa, que é também presidente da Direcção do Clube Ancorense de Pesca e Caça, qualquer pessoa que seja portador do Cartão Individual de Apanhador de Animais Marinhos, que custa apenas 10 euros, pode retirar da costa todo o mexilhão que quiser e puder.
O cartão, emitido pela Direcção Geral de Pescas, tem actualmente cerca de 20 pessoas detentoras, na costa entre Esposende e Vila Praia de Âncora.
Fonte da Polícia Marítima, contactada pela Lusa, explicou que, com a actual legislação, as autoridades apenas podem intervir se os apanhadores fizerem uso de instrumentos, como foucinhas, no exercício da actividade.
"Isso sim, é proibido por lei, mas é muito difícil apanhar os infractores, porque eles montam esquemas de vigilância, tendo alguém sempre 'de plantão' para os avisar quando se aproxima a Polícia Marítima", acrescentou a fonte, sublinhando que "é frequente" encontrar utensílios daquele tipo abandonados nas rochas.
Rui Taxa lembra que a utilização destes instrumentos "viola os habitats naturais" de outras espécies, que "também ficam com a sobrevivência ameaçada".
O autora da petição em defesa dos ouriços-do-mar Rui Taxa, garante que já alertou para este problema diversas entidades, entre as quais os Ministérios do Ambiente e Agricultura e Pescas, as câmaras municipais, os deputados eleitos pelo distrito de Viana do Castelo e o Governo Civil.
Fotografia © Rafael Chaves - Flickr - Creative Commons
in DN

Linces de Silves atraem dezenas de visitantes


Animais geram a curiosidade do público, que no entanto não pode passar os portões do centro de reprodução de Silves. Autarquia pode vir a criar centro de interpretação, onde se poderá conhecer melhor o lince
Desde que a notícia da chegada do lince-ibérico a Silves começou a circular nos meios de comuni-cação social, a curiosidade dos populares levou dezenas de pessoas até aos portões do Centro de Reprodução do Lince-Ibérico. Mas apenas aos portões, porque dali não passam. Isto porque acima do interesse do público está a necessidade de preservar um animal em vias de extinção.
Quem procura ver o lince é informado de que o centro não é visitável, para preservar os animais do contacto com os seres humanos e para diminuir o risco de possíveis doenças nos linces.
Mas para que a curiosidade de todos possa ser satisfeita e como forma de divulgação do trabalho que é desenvolvido diariamente no centro, o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) e a autarquia de Silves falam na possibilidade de criar um centro de interpretação onde se possa conhecer melhor o lince- -ibérico e de que forma todas as pessoas podem contribuir para a sua preservação.
Um projecto que para já não passa de uma intenção, até porque a prioridade, segundo os responsáveis, é criar todas as condições para que os 16 exemplares possam adaptar-se bem à nova casa e começar a preparar todas as condições para a tentativa de reprodução, que vai acontecer já no início do próximo ano.
No passado dia 1 chegaram os dois últimos machos ao centro. Éon e Calabacin vieram de Olivilla, em Espanha, para fechar o grupo reprodutivo para esta época. Pelo menos até Setembro de 2010, os 16 felinos vão ser os habitantes da Herdade das Santinhas, em Silves. Nessa altura, haverá uma avaliação do número de animais, em cada centro e poderá haver transferências, entre Portugal e Espanha, já que os dois países têm trabalhado em rede.
A adaptação dos 11 machos e cinco fêmeas tem decorrido consoante as expectativas. Os animais já reconhecem os cercados como território próprio, revelam comportamentos de adaptação aos tratadores e aos restantes animais, com a emissão de sons próprios de chamamento.
O trabalho no centro de reprodução entra claramente numa nova fase. Embora não haja registo de nenhum caso de reprodução no primeiro ano de existência dos centros, em Silves prepararam-se todas as condições para tentar quebrar esta evidência.
As expectativas centram-se no dia 15 de Janeiro. Não por razões científicas, mas porque 15 de Janeiro é sempre um dia em que são registadas cópulas entre pelo menos um dos casais reprodutores. Azahar é a fêmea com mais con- dições para tentar a reprodução, já entre os machos perfilam-se o Drago, Daman II, Enebro ou o Calabacin.

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Circo sem animais força criatividade

Directora criativa do Cirque du Soleil diz que proibição da compra de animais estimulará a criatividade artística

A directora criativa do Cirque Soleil Lyn Heward considerou que a portaria portuguesa que proibe a compra ou reprodução de animais para o circo obrigará os artistas circenses a desenvolver a sua criatividade.
Lyn Heward disse no seminário sobre Criatividade, destinado a empresários, em Lisboa, que não era nem a favor nem contra a presença de animais no mundo do circo. "Pessoalmente, adoro animais e não me incomoda vê-los a actuar.", afirmou.
O quê a preocupa é a forma como se encara esse trabalho, como são expostos e transportados. "Ao contrário do ser humano, um animal não toma a decisão de ser artista de circo porque não tem essa capacidade de escolha", frisou.
Lyn Heward até vê vantagens: "Se não puder haver animais no espectáculo, então o ser humano vai ter que desenvolver muito mais a sua criatividade. E isso é óptimo", defendeu. Esta medida não preocupa o Cirque Soleil, que não trabalha com animais.
Este circo canadiano começou com 73 artistas de rua e actualmente tem 20 diferentes espectáculos espalhados pelo mundo e 4.000 empregados, dos quais 1.100 são artistas.

Directora do Cirque du Soleil falou sobre criatividade
Criatividade. Esta foi a palavra de ordem no seminário Criatividade é o Caminho, que se realizou ontem de manhã no Cinema São Jorge, em Lisboa, e que contou com a presença de Lyn Heward, directora criativa e executiva do Cirque du Soleil, onde trabalha desde 1992. E durante uma hora e meia a responsável explicou perante uma plateia que enchia a sala 1 do São Jorge de que forma é que a criatividade, a todos os níveis, se aplica no funcionamento do Cirque du Soleil.
Foram vários os passos referidos por Lyn Heward que adopta para que o Cirque du Soleil seja actualmente um caso de enorme sucesso mundial.
A "habilidade em trabalhar em equipa", a "capacidade de arriscar a nível físico e criativo", a "generosidade para com os outros membros da equipa" e a "aptidão para aprender depressa" foram dados enunciados no discurso de Heward como fundamentais para um membro do Cirque du Soleil.
Durante a conferência a directora criativa desta companhia que começou em 1984 em Montreal, no Canadá, foi dando constantemente exemplos de como adopta os métodos criativos de trabalho no Cirque du Soleil. Em relação à capacidade de "arriscar a nível físico e criativo", lembrou aos presentes o espectáculo que apresentaram na cerimónia dos Óscares em 2002. Um dos números desse espectáculo envolvia uma relação com o fogo, sendo que o responsável por essa parte específica já trabalhava com fogo "há 20 anos". Num dos últimos ensaios o artista teve um acidente, tendo queimado parte do corpo. "E mesmo assim ele quis fazer o espectáculo, disse-me que era uma oportunidade única".
Todavia, Lyn Heward referiu na conferência que, muitas vezes, a criatividade de cada membro tem de ser "estimulada". "Quando chegam pela primeira vez ao nosso centro de treino, em Montreal, é preciso ajudá-los a encontrar a sua criatividade", disse. O ambiente em que cada um se insere tem assim de ser propício à criatividade e esta é uma das políticas que, segundo a responsável, rege o Cirque du Soleil. "Antes de tudo, há um período em que todos os membros se conhecem e aprendem a confiar uns nos outros", contou.
A partilha foi exactamente um dos pontos a que deu maior importância: "O espectáculo não é meu, é de todos nós, de toda a equipa. Temos de fazer com que todos sintam que pertencem ao mesmo espectáculo".
in DN

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Koalas podem desaparecer dentro de 30 anos

Austrália
Um recente estudo realizado pela Fundação Koala demonstrou que o número de koalas sofreu um grande declínio nos últimos seis anos, caindo de cerca de 100.000 animais para cerca de 43.000, o que provocou o alarme entre os responsáveis pela fauna australiana.Os motivos apontados são vários. Em primeiro lugar, a falta de eucaliptos com alimento abundante, já que nos últimos anos a seca prolongada e os fogos, que encontraram condições excepcionais para alastrarem, a alimentação disponível ficou significativamente reduzida em várias zonas, provocando a subnutrição e a morte de muitos animais.Por outro lado, em alguns locais a desmatação acelerada, para aproveitamento dos eucaliptos, também tem provocado graves problemas, e os biólogos da fundação lembram que sem eucaliptos não há koalas. Para agravar a situação, uma bactéria sexualmente transmissível, a Chlamydia, que afecta quer os machos quer as fêmeas, tem sido disseminada por grandes comunidades de koalas levando a uma baixa natalidade, pois na maioria dos casos provoca infertilidade nos animais.Para piorar ainda mais a situação, por terem as florestas descontinuadas pelos motivos já antes descritos, os koalas acabam por ser vítimas de atropelamentos quando tentam encontrar novas fontes de alimento.Para se ter uma ideia da gravidade da situação, num local a Norte de Queensland, onde há apenas dez anos existiam cerca de 20.000 destes animais, estiveram, durante oito dias, quatro pessoas a rastrear o local e não conseguiram encontrar um único koala.Para chegar a estes números foram estudados 1800 locais, que desde há muito estão referenciados para fazer a monitorização da espécie, e cerca de 80.000 árvores.Numa tentativa de inverter estes resultados, a Fundação Koala está a pressionar as autoridades para que a espécie seja considerada em risco, para que assim possam surgir novos meios para a preservar. É que, se nada for feito, e com a continuação dos efeitos do aquecimento global, talvez daqui a trinta anos já não seja possível encontrar koalas a viver na natureza.

domingo, 1 de Novembro de 2009

China fecha os olhos para o cruel tráfico de tigres

A China está fechando os olhos para o tráfico de corpos de tigres, revelou uma investigação realizada no país e também no Tibet.A Environmental Investigation Agency (EIA), uma organização britânica, publicou fotos que foram obtidas por meio de uma câmera espiã e revelam a venda descarada de peles, ossos e unhas de tigres. A maioria das partes de tigres vendidas na China vem da Índia através do Nepal, e a ausência de controle do governo sobre o tráfico está diminuindo as chances de sobrevivência do animal.
“A China está fugindo da responsabilidade… Se eles podem enviar um homem ao espaço com certeza podem fazer um pouco mais para salvar os tigres,” disse Debbie Banks, do EIA.
Os tigres são mortos e suas partes são vendidas para utilização em práticas supostamente médicas e afrodisíacas, enquanto suas peles acabam servindo para “decorar” casas.
De acordo com o EIA, restam apenas algumas dúzias de tigres selvagens na China e no mundo todo são pouquíssimos os animais que ainda vivem em seu habitat natural.
As peles dos tigres são vendidas em qualquer lugar e podem custar de U$11.000 a U$22,000. Os ossos são vendidos a U$1.250 o quilo.
in www.animaisos.org

450 mil animais foram mortos em 2008 por serem excedentes da “indústria de testes”

No ano passado, 450 mil animais gerados para testes em animais por cientistas foram mortos, por terem sido considerados excedentes à demanda ou por serem do sexo “errado”, de acordo com um informe publicado pela VWA, autoridade que cuida da alimentação e segurança dos produtos para o consumidor da Holanda.
Os animais “excedentes”, que custam cerca de 2 euros à indústria de testes em animais, incluem camundongos, ratos, coelhos, gatos, cães e macacos, segundo mostra a publicação.
No total, mais de um milhão de animais foram gerados para usos laboratoriais na Holanda, no ano passado.
O número exato de experimentos feitos em animais foi ligeiramente menor em 2007, segundo a VWA. Dos experimentos, 52% foram feitos para estudos científicos e 37% para o desenvolvimento de novos medicamentos.
in
www.animaisos.org